Tanajura é vendida a até R$ 300 e se torna iguaria no Agreste de Pernambuco

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O quilo da tanajura, inseto tradicionalmente consumido no interior de Pernambuco, está sendo vendido por até R$ 300 no Agreste do estado. A iguaria, que aparece apenas em períodos específicos do ano, tem sido comercializada em diferentes formatos e até virou ingrediente de pratos como hambúrguer e pizza.

Em Altinho, um bar chamou atenção após recolher 114 kg do inseto durante o período de aparição. No local, a tanajura é servida tanto na forma tradicional quanto em receitas menos comuns, como hambúrguer e pizza. O alimento ganhou valor elevado justamente por surgir apenas em determinadas épocas do ano.

No Parque 18 de Maio, em Caruaru, 1 kg de tanajura está sendo comercializado entre R$ 250 e R$ 300. Vendedores da cidade também anunciam o produto em recipientes de diferentes tamanhos. Garrafas de dois litros têm sido vendidas por cerca de R$ 120, enquanto recipientes menores, de 500 mililitros, custam entre R$ 50 e R$ 60.

O bar em Altinho, que recolheu mais de 100 kg dos insetos, tem utilizado a iguaria em diferentes receitas. Além da tradicional tanajura frita acompanhada de farofa ou vinagrete, o estabelecimento passou a oferecer pratos como hambúrguer e pizza feitos com o inseto. O dono do local, Givanilson da Silva, conta que ele, familiares e amigos coletam as tanajuras nas ruas durante o período em que elas aparecem.

Depois da coleta, o alimento é separado em porções e congelado para ser vendido ao longo do ano. “Naquele vídeo tinha 114 quilos. A gente vende no boteco o ano todo. No primeiro mês vendemos um pouco para quem quer levar garrafa e o restante fica para os petiscos”, afirmou Givanilson. Os pratos mais procurados no bar são o hambúrguer de tanajura e a porção frita acompanhada de farinha e vinagrete.

No estabelecimento, o hambúrguer custa R$ 25 e a pizza é vendida por R$ 75. Já uma garrafa de um litro com o inseto chega a ser comercializada por R$ 150. No interior do estado, é comum ouvir a expressão de que está “caindo” tanajura quando os insetos aparecem nas ruas ou em áreas rurais.

Esse fenômeno ocorre quando elas saem dos formigueiros para se reproduzir. Segundo biólogos, o fenômeno está ligado ao período reprodutivo das formigas e costuma ocorrer após chuvas e ventos fortes. Durante o voo nupcial, a tanajura, que é a fêmea da formiga, é fecundada pelo macho, conhecido popularmente como “sibito”.

O biólogo Alexandre Nunes explica que, após o voo, a tanajura pousa no solo, perde as asas e procura um local adequado para cavar e iniciar um novo formigueiro. “Com as chuvas, o solo fica mais fofo e facilita a escavação. No abdômen da tanajura existem milhares de ovos que darão origem a um novo formigueiro”, disse.

A nutricionista Nathiane Magalhães destaca que a tanajura é rica em proteínas e gorduras. De acordo com ela, 100 gramas do inseto possuem entre 430 e 480 calorias, cerca de 35 a 42 gramas de proteína e entre 30 e 35 gramas de gordura. Apesar de nutritiva, a especialista recomenda atenção ao consumo excessivo, especialmente em combinações que aumentam o teor calórico da refeição.

O consumo da tanajura é uma tradição transmitida entre gerações no interior de Pernambuco, onde o preparo mais comum é fritar o inseto e servi-lo com farinha.

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