Taxa de desemprego atinge 5,4% e economista vê corte de juros improvável

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

A taxa de desemprego no Brasil alcançou 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, conforme dados da Pnad Contínua, divulgados nesta quinta-feira (5) pelo IBGE.

Esse resultado está em linha com as expectativas e reflete a sazonalidade típica do período, que é marcada pelo fim das contratações temporárias de fim de ano. O aquecimento do mercado de trabalho e o crescimento consistente da renda são fatores que podem influenciar as decisões do Banco Central sobre a taxa básica de juros.

A próxima reunião do Copom está agendada para meados de março, e a expectativa é de um corte de 0,5 ponto percentual na taxa Selic, mantendo o ritmo gradual de redução.

Segundo Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo, o vigor do mercado de trabalho e seus reflexos na inflação de serviços tornam pouco provável uma aceleração no ritmo de cortes para 0,75 ou 1 ponto percentual nas próximas reuniões.

A dinâmica da inflação de serviços, que é mais difícil de desacelerar, justifica a cautela do Banco Central no ciclo de afrouxamento monetário.

Outro dado importante da pesquisa foi o crescimento do rendimento médio real de todos os trabalhos, que atingiu R$ 3.652, representando um aumento de 5% em termos reais na comparação anual. A massa salarial também cresceu 7% no mesmo período, evidenciando o vigor do mercado de trabalho, mesmo em um cenário de juros elevados.

Esse aumento da renda indica um mercado de trabalho apertado, com baixa disponibilidade de mão de obra em alguns setores. A taxa de subutilização da força de trabalho caiu para 13,8%, o menor nível para trimestres encerrados em janeiro na série histórica da pesquisa.

Esse cenário sugere que há menos trabalhadores disponíveis no mercado, o que pode gerar pressão em setores intensivos em mão de obra, como construção civil e serviços.

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