O tenente-coronel Geraldo Neto, acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves, é o primeiro oficial da Polícia Militar (PM) do estado de São Paulo preso por feminicídio desde 2015. A informação foi confirmada pelo secretário-executivo da Secretaria da Segurança Pública (SSP), coronel Henguel Pereira, durante uma coletiva de imprensa.
O coronel Henguel destacou que o caso é atípico, pois envolve um feminicídio contra uma policial. ‘É um caso que chamou muito a atenção de toda a segurança pública que está em São Paulo, porque seria até um, tecnicamente, um crime de militar contra militar, um crime de feminicídio’, afirmou.
A investigação concluiu que Geraldo foi responsável pelo tiro na cabeça da esposa após uma discussão no apartamento do casal, localizado no Brás, Centro de São Paulo, no dia 18 de fevereiro. Gisele tinha 32 anos e o tenente-coronel, 53. Ele nega o crime, mas se tornou réu na Justiça por feminicídio e fraude processual, por alterar a cena do crime para simular um suicídio.
A Justiça Militar decretou a prisão preventiva de Geraldo a pedido da Corregedoria da PM. A defesa do tenente-coronel criticou a decisão, alegando que ele é inocente e que a Justiça comum deve apurar casos de feminicídio.
A Lei do Feminicídio foi criada em 2015, qualificando o homicídio de mulheres por razões de gênero como crime hediondo. Em 2024, a legislação foi alterada para transformar o feminicídio em crime autônomo, aumentando a pena para 20 a 40 anos.
Em 2025, o estado de São Paulo registrou 270 casos de feminicídio, o maior número desde o início da série histórica em 2018. O secretário-executivo Henguel Pereira elogiou a criação de mais de 140 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) no estado e a implementação de medidas como o uso de tornozeleiras eletrônicas para agressores.
Durante a coletiva, o coronel José Coutinho, comandante da PM, expressou lamento pela prisão de um integrante da corporação, afirmando que ‘obviamente a PM sai maculada disso’.


