Após a derrota da seleção feminina do Irã na Copa da Ásia de Futebol Feminino no domingo (8), torcedores se aglomeraram ao redor do ônibus da equipe, gritando para a polícia: “salvem nossas meninas”.
Hadi Karimi, defensor dos direitos humanos e membro da comunidade iraniana local, afirmou que os apoiadores podiam ver pelo menos três jogadoras fazendo o sinal internacional de socorro com as mãos. “Estamos pedindo à polícia federal, ao governo, ao povo australiano, a todos. Essas meninas estão pedindo ajuda. Elas estão mostrando suas mãos, o sinal de SOS. Isso é muito, muito importante. A vida delas está em perigo”, disse ele.
As jogadoras, que estão na Austrália há uma semana, enfrentam crescentes apelos para que sua saída do país seja bloqueada devido ao medo de perseguição no Irã, onde a situação política é tensa. Antes da primeira partida, elas permaneceram em silêncio durante o hino nacional iraniano, um gesto interpretado por alguns como traição. Fontes relataram que foram forçadas a cantar o hino antes da partida de quinta-feira e, no domingo, antes da derrota por 0-2 para as Filipinas, elas novamente cantaram o hino e fizeram uma saudação militar.
Reza Pahlavi, filho do xá deposto do Irã, também se juntou aos apelos por proteção, alertando que as jogadoras enfrentarão “graves consequências” se retornarem ao Irã. “Como resultado de seu corajoso ato de desobediência civil ao se recusarem a cantar o hino nacional do regime atual, elas enfrentam graves consequências caso retornem ao Irã”, publicou Pahlavi.
A seleção feminina do Irã disputou a Copa da Ásia em meio a um contexto de conflito entre o Irã, os EUA e Israel, o que complicou as viagens internacionais. A preocupação é que as jogadoras possam ser levadas para um terceiro país antes de retornar ao Oriente Médio. Craig Foster, ex-jogador australiano e defensor dos direitos humanos, criticou a falta de acesso das jogadoras a redes de apoio externas.
“Nenhum grupo de atletas deveria ser efetivamente mantido refém por sua própria federação e ter negado acesso a redes de apoio externas”, disse Foster. Ele destacou que a Confederação Asiática de Futebol (AFC) tem responsabilidade pelo bem-estar das jogadoras.
A Ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, não comentou sobre possíveis contatos entre autoridades australianas e as jogadoras. “Nos solidarizamos com os homens e mulheres do Irã e particularmente com as mulheres e meninas iranianas”, afirmou.
Em coletiva após a partida, a técnica iraniana Marziyeh Jafari expressou o desejo de retornar ao Irã. “Pessoalmente, eu gostaria de retornar ao meu país o mais rápido possível e estar com meus compatriotas e família”, disse ela.
Karimi, que também é vice-presidente da sociedade iraniana de Queensland, relatou que apoiadores tentaram contatar as jogadoras, mas foram impedidos pela segurança. Eles buscaram ajuda da polícia local e estavam de volta na segunda-feira, observando o ônibus das jogadoras em direção ao aeroporto.
“Queremos que vocês as separem da IRGC”, disse Karimi, referindo-se à Guarda Revolucionária Islâmica. “Separem-nas dos membros do regime islâmico e as entrevistem”, pediu.


