O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quinta-feira, 5, que deveria ter um papel na escolha do próximo líder supremo do Irã, após o assassinato do aiatolá Ali Khamenei, ocorrido no último sábado durante ataques americanos e israelenses.
Trump afirmou que o nome do filho de Khamenei, Mojtaba Khamenei, apontado como o sucessor mais provável, seria “inaceitável”. “O filho de Khamenei é um Peso Leve. Tenho que participar da nomeação, como com Delcy”, disse Trump em entrevista ao site Axios, referindo-se à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.
O presidente dos EUA também alertou que o país poderia voltar à guerra dentro de cinco anos se não houver um líder favorável a Washington no Irã. Ele ressaltou que o líder supremo do Irã tem a palavra final sobre temas estratégicos, como política externa e o programa nuclear, que o governo iraniano afirma ter fins civis.
““O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz para o Irã”, disse Trump ao veículo.”
A escolha do novo líder supremo do Irã é feita por uma assembleia de clérigos muçulmanos xiitas, que são, em sua maioria, fortemente contrários aos Estados Unidos. O regime iraniano informou na quarta-feira que está trabalhando para designar rapidamente o sucessor de Ali Khamenei.
““Estamos fazendo tudo o que podemos”, declarou Ahmad Khatami, membro da Assembleia de Especialistas, responsável por escolher um novo líder supremo.”
Khatami acrescentou: “Se Deus quiser, o líder será nomeado o mais rápido possível. Estamos próximos de uma decisão, mas a situação é de guerra”.
A morte de Khamenei, que tinha 86 anos e estava no poder desde 1989, ocorreu no início da ofensiva israelense-americana no Irã. O funeral de Estado, inicialmente previsto para começar na quarta-feira à noite e durar três dias, foi adiado, conforme anunciado pela televisão estatal.
““A cerimônia de despedida do imã mártir foi adiada (…) diante da previsão de uma participação sem precedentes”, informou a televisão estatal.”
A nova data do funeral será comunicada posteriormente. As homenagens seriam prestadas na Grande Mesquita Imã Khomeini, em Teerã, e o aiatolá seria enterrado na cidade sagrada de Mashhad, de onde era natural.
Mojtaba Khamenei, de 56 anos, é considerado um dos favoritos para o posto, embora nunca tenha ocupado um cargo oficial no governo. Ele é descrito como uma figura influente nos bastidores do poder, atuando como uma espécie de “guardião” do gabinete do pai.
Nascido em 1969 em Mashhad, Mojtaba cresceu durante a oposição de seu pai ao xá deposto na Revolução Islâmica de 1979. Ele serviu na Guerra Irã-Iraque e estudou em seminários religiosos em Qom. Apesar de ser cotado como favorito, a sucessão de pai para filho enfrenta resistência dentro da hierarquia clerical xiita, que vê a ideia de dinastia política como malvista.
Críticos afirmam que Mojtaba não possui a qualificação religiosa tradicionalmente exigida para o cargo. Em 2019, ele foi alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por atuar oficialmente em nome do pai sem ter sido eleito ou nomeado para função pública.

