Trump defende participação na escolha do novo líder do Irã e critica filho de Khamenei

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quinta-feira, 5, que deveria ter um papel na escolha do próximo líder supremo do Irã, após o assassinato do aiatolá Ali Khamenei, ocorrido no último sábado durante ataques americanos e israelenses.

Trump afirmou que o nome do filho de Khamenei, Mojtaba Khamenei, apontado como o sucessor mais provável, seria “inaceitável”. “O filho de Khamenei é um Peso Leve. Tenho que participar da nomeação, como com Delcy”, disse Trump em entrevista ao site Axios, referindo-se à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.

O presidente dos EUA também alertou que o país poderia voltar à guerra dentro de cinco anos se não houver um líder favorável a Washington no Irã. Ele ressaltou que o líder supremo do Irã tem a palavra final sobre temas estratégicos, como política externa e o programa nuclear, que o governo iraniano afirma ter fins civis.

““O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz para o Irã”, disse Trump ao veículo.”

A escolha do novo líder supremo do Irã é feita por uma assembleia de clérigos muçulmanos xiitas, que são, em sua maioria, fortemente contrários aos Estados Unidos. O regime iraniano informou na quarta-feira que está trabalhando para designar rapidamente o sucessor de Ali Khamenei.

““Estamos fazendo tudo o que podemos”, declarou Ahmad Khatami, membro da Assembleia de Especialistas, responsável por escolher um novo líder supremo.”

Khatami acrescentou: “Se Deus quiser, o líder será nomeado o mais rápido possível. Estamos próximos de uma decisão, mas a situação é de guerra”.

A morte de Khamenei, que tinha 86 anos e estava no poder desde 1989, ocorreu no início da ofensiva israelense-americana no Irã. O funeral de Estado, inicialmente previsto para começar na quarta-feira à noite e durar três dias, foi adiado, conforme anunciado pela televisão estatal.

““A cerimônia de despedida do imã mártir foi adiada (…) diante da previsão de uma participação sem precedentes”, informou a televisão estatal.”

A nova data do funeral será comunicada posteriormente. As homenagens seriam prestadas na Grande Mesquita Imã Khomeini, em Teerã, e o aiatolá seria enterrado na cidade sagrada de Mashhad, de onde era natural.

Mojtaba Khamenei, de 56 anos, é considerado um dos favoritos para o posto, embora nunca tenha ocupado um cargo oficial no governo. Ele é descrito como uma figura influente nos bastidores do poder, atuando como uma espécie de “guardião” do gabinete do pai.

Nascido em 1969 em Mashhad, Mojtaba cresceu durante a oposição de seu pai ao xá deposto na Revolução Islâmica de 1979. Ele serviu na Guerra Irã-Iraque e estudou em seminários religiosos em Qom. Apesar de ser cotado como favorito, a sucessão de pai para filho enfrenta resistência dentro da hierarquia clerical xiita, que vê a ideia de dinastia política como malvista.

Críticos afirmam que Mojtaba não possui a qualificação religiosa tradicionalmente exigida para o cargo. Em 2019, ele foi alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por atuar oficialmente em nome do pai sem ter sido eleito ou nomeado para função pública.

Compartilhe esta notícia