Ucrânia acusa Hungria de fazer sete funcionários de banco reféns em Budapeste

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O governo da Ucrânia acusou a Hungria de ter raptado sete funcionários do Oschadbank, seu banco estatal de poupanças, e de ter apreendido cerca de 82 milhões de dólares em dinheiro e ouro. O episódio teria ocorrido na quinta-feira, 5 de março de 2026, e foi denunciado pelo ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha.

A denúncia surge em um momento em que Budapeste promete interromper o trânsito para a Ucrânia devido a uma disputa petrolífera. “Estamos falando da Hungria fazendo reféns e roubando dinheiro”, disparou Sybiha em uma publicação na rede social X, antigo Twitter.

Segundo o chanceler, os trabalhadores do Oschadbank estavam em carros-fortes que transportavam uma alta soma de valores oriunda da Áustria em direção à Ucrânia quando foram detidos pelas autoridades húngaras. “Isso é terrorismo de Estado e extorsão”, afirmou.

Através de dados de GPS, o Oschadbank afirma que os veículos envolvidos estão localizados nas proximidades de um prédio do serviço de segurança húngaro em Budapeste. Os carros-fortes levavam 40 milhões de dólares, 35 milhões de euros e 9 kg de ouro, fruto de um acordo internacional com o Raiffeisen Bank, da Áustria. “A carga foi liberada de acordo com as regras internacionais de transporte e os procedimentos aduaneiros europeus aplicáveis”, aponta o banco em comunicado.

De acordo com informações do portal de notícias húngaro Index, os sete trabalhadores foram detidos como parte de um processo criminal por possível lavagem de dinheiro. Eles serão deportados ainda nesta sexta-feira, 6 de março, embora não haja confirmação por parte das autoridades ucranianas.

Kiev exige o retorno dos envolvidos e pretende pedir à União Europeia uma “qualificação clara das ações ilegais da Hungria”. A apreensão ocorre em um momento delicado nas relações diplomáticas entre Ucrânia e Hungria, com o governo húngaro acusando a Ucrânia de atrasar deliberadamente a retomada do fluxo de petróleo através do danificado oleoduto Druzhba.

Embora o governo do premiê Viktor Orban afirme que o cenário é motivado por questões políticas, Kiev defende que falta tempo para reparar o equipamento, danificado por um ataque promovido por Moscou em 27 de janeiro. Nesta sexta, Orban acusou a Ucrânia de chantagem e afirmou que Budapeste utilizará todos os meios à sua disposição para retaliar.

O primeiro-ministro disse já ter interrompido as exportações de diesel para os vizinhos e pretende impedir que cargas importantes para Kiev atravessem a malha rodoviária húngara até que o fluxo de petróleo seja reestabelecido. Tudo isso ocorre às vésperas das eleições de 12 de abril, onde o premiê enfrentará um sério desafio ao seu governo de 16 anos.

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