No mês de março, dedicado às mulheres, a sociedade é lembrada da violência que muitas enfrentam no cotidiano. Recentemente, o caso do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, trouxe à tona a discussão sobre a negação do direito à intimidade das mulheres.
Mensagens pessoais entre Vorcaro e sua noiva, além de outras mulheres, foram vazadas e expostas na mídia e nas redes sociais. A advogada Ana Seleme questiona a razão pela qual conversas íntimas, sem relação com a investigação judicial, foram divulgadas publicamente.
“A intimidade da mulher não é prova processual”, afirmou Seleme. Ela destaca que a exposição de conversas privadas transforma essas mulheres em vítimas de uma violência gratuita, que deixa marcas permanentes. “O que cai na internet, fica na internet”, completou.
A advogada também ressaltou que essa situação pode ter consequências sérias para a integridade e o estado psíquico das mulheres envolvidas. “Onde está o limite? Por que a sociedade negligencia o direito à privacidade feminina com tanta facilidade?”, questionou.
Segundo Seleme, a violação do direito à privacidade é um tema pouco discutido. “É mais fácil rir do print, compartilhar o post ou comentar a vida alheia do que se indignar com a violação de um direito fundamental”, disse.
Ela conclui que a dignidade feminina não deve ser sacrificada em situações de vazamentos seletivos e que respeitar a mulher é também respeitar seu direito à vida privada. “Nossa intimidade não é pública. E o silêncio diante disso é conivência”, finalizou.


