Os aeroportos operados pela iniciativa privada estão em busca de empreendimentos comerciais bilionários após uma mudança nas regras das concessões, que possibilitou a assinatura de contratos mais longos para a exploração imobiliária em seus entornos.
Shopping centers, hotéis, torres de escritórios, hospitais e casas de espetáculos estão entre os projetos que as concessionárias de aeroportos estão buscando. A intensificação dessa busca ocorreu com a implementação de um novo programa pelo Ministério de Portos e Aeroportos em setembro do ano passado, que facilitou a formalização de contratos com vigência superior à da própria concessão do terminal.
Desde a mudança, seis novos empreendimentos já foram protocolados e estão em fase de análise técnica pelo ministério, que precisa aprovar os projetos. As propostas estão distribuídas por Brasília, Curitiba, Fortaleza, Galeão (RJ) e Vitória.
De acordo com a ABR Aeroportos do Brasil, que representa as operadoras de 59 terminais, o setor está iniciando um novo ciclo de investimentos em “real estate”. O CEO da entidade, Fábio Rogério Carvalho, afirmou:
““É um cenário positivo para a promoção dos aeroportos e das companhias aéreas, e indutor do desenvolvimento das cidades.””
Anteriormente, as parcerias comerciais eram limitadas à duração das concessões, o que restringia o interesse de investidores em projetos de longo prazo, como shopping centers e torres de escritórios. A nova portaria do ministério permite contratos comerciais com vigência de até 75 anos, o que traz maior segurança jurídica para os empreendimentos.
A Motiva (ex-CCR), que opera 17 aeroportos no Brasil, identificou pelo menos 50 áreas para exploração imobiliária. Atualmente, a receita comercial representa cerca de um terço do faturamento do negócio aeroportuário. Desde 2021, a empresa já firmou seis grandes contratos e espera dobrar esse número até 2027.
A Zurich Airport Brasil, que administra os terminais de Florianópolis, Vitória, Natal e Macaé (RJ), considera a flexibilização do ministério um momento especial para o desenvolvimento imobiliário. O diretor comercial e de marketing, Danilo Sesiki, destacou o potencial de Vitória e afirmou:
““Nós temos um total de 1 milhão de metros quadrados destinados ao desenvolvimento imobiliário.””
O aeroporto de Vitória já atraiu cerca de R$ 2 bilhões em investimentos imobiliários e, com a nova regra, pode receber mais R$ 1 bilhão, gerando quatro mil empregos. O aeroporto de Confins (MG), administrado pela BH Airport, também está otimista com a possibilidade de contratos mais longos. O gerente comercial, Geovane Medina, comentou:
““Com um ambiente regulatório mais claro e estável, fica muito mais fácil planejar projetos de maior maturação.””
A Fraport Brasil, que opera os aeroportos de Porto Alegre (RS) e Fortaleza (CE), firmou quatro novas parcerias após a mudança, incluindo dois centros logísticos e dois hotéis. A empresa estima que o “real estate” pode representar entre 3% e 5% do faturamento quando os projetos estiverem em plena capacidade.
No primeiro semestre, o aeroporto de Brasília deve inaugurar um shopping center com 60 mil metros quadrados, a 500 metros do terminal de passageiros. O centro comercial contará com mais de 130 lojas, incluindo sete âncoras, dez restaurantes, seis salas de cinema e uma área de shows.

