A ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de acabar com o Irã na noite de terça-feira, 7, elevou a tensão internacional e acendeu alertas sobre uma possível escalada de grandes proporções.
No programa Ponto de Vista, especialistas analisaram o alcance das declarações de Trump e seus desdobramentos políticos, militares e econômicos. O professor Danny Zahreddine, da PUC, afirmou que a fala de Trump segue um padrão conhecido, caracterizando-a como uma “fala hiperbólica, própria do presidente Trump”.
Segundo Zahreddine, o objetivo é pressionar por um acordo rápido, mas o tom duro tem uma função estratégica: criar uma imagem de força em meio a negociações complexas envolvendo países como Turquia, Egito e Paquistão. Ele acredita que encerrar o conflito sem essa demonstração poderia enfraquecer a liderança americana.
A análise predominante entre os especialistas é de que houve erro de cálculo por parte dos Estados Unidos. Zahreddine destacou que Trump subestimou a reação iraniana, acreditando que o país não retaliaria. “O problema é uma visão muito arrogante sobre o mundo oriental”, disse, apontando que essa leitura equivocada já cobra preço em termos de reputação e custos econômicos.
O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, surge como uma das principais ameaças, com potencial de impacto imediato no mercado global.
O cientista político Rafael Tauil destacou que a resposta iraniana é o fator mais imprevisível do cenário. Ele mencionou que há forte mobilização interna no Irã, com “14 milhões de pessoas dispostas a morrer por essa causa”, referindo-se a declarações de autoridades iranianas.
Embora os EUA tenham superioridade militar, Tauil alertou que o Irã pode reagir de forma assimétrica, incluindo ações indiretas que ampliem a sensação de insegurança global. A possibilidade de envolvimento de outras potências, como China e Rússia, também foi discutida, com cada uma acompanhando o conflito sob perspectivas distintas.
O impacto político e econômico interno da crise também foi abordado. Zahreddine observou que o principal impacto para Trump está no bolso do eleitor, com o aumento do preço da gasolina e a inflação saindo do controle, o que pode ampliar a rejeição ao governo.
A avaliação geral dos participantes do programa é de que o episódio marca um ponto de inflexão, com o conflito entre EUA e Irã podendo redefinir o equilíbrio geopolítico, com efeitos que vão muito além do Oriente Médio.

