O eleitorado feminino, que foi crucial para a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial de 2022, tem se afastado gradativamente do presidente. A última pesquisa Genial/Quaest revelou que a aprovação das mulheres ao governo caiu de 48% em janeiro para 45% em abril de 2026, ainda acima da média nacional de 43%.
Além disso, um levantamento do Datafolha mostrou que, na simulação de segundo turno, a vantagem de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro entre as eleitoras caiu de treze pontos, em março, para quatro pontos, em abril.
Para tentar reverter essa situação, Lula anunciou em fevereiro um pacto nacional contra o feminicídio, que envolve representantes dos Três Poderes na luta contra esse crime, que atingiu recorde em 2025. Em abril, ele sancionou leis que preveem o uso imediato de tornozeleira eletrônica por agressores e a tipificação do crime de vicaricídio, que é o assassinato de filhos ou parentes em contextos de violência doméstica.
No início de seu terceiro mandato, Lula recriou o Ministério das Mulheres, atualmente sob a liderança de Márcia Lopes, como uma tentativa de demonstrar compromisso com a pauta feminina. No entanto, a pasta e a Presidência enfrentam uma falha de foco. A conquista do voto feminino depende cada vez menos de gestos simbólicos e mais de ações que melhorem a qualidade de vida das mulheres e de suas famílias.
A demanda prioritária desse segmento é por mais segurança, saúde e educação. Flávia Biroli, professora de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), afirma: “O voto feminino tem uma relação muito direta com a realidade prática das pessoas. A violência que atinge as mulheres e seus filhos é um elemento”.
Os números são significativos. Até o início de abril, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrava 156,2 milhões de cidadãos habilitados a votar, sendo 82,6 milhões eleitoras e 73,6 milhões eleitores, uma diferença de nove milhões de votos. Essa diferença é mais de quatro vezes a vantagem que Lula teve sobre Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, que foi de 2,1 milhões de votos. Com a aproximação de sua sétima candidatura, Lula reconhece que sua reeleição depende da reconquista do eleitorado feminino.

