A bancada de oposição na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) está avaliando estratégias para derrotar o deputado Douglas Ruas (PL) na disputa pelo comando da Casa. Apesar das negociações estarem paralisadas devido à expectativa em relação ao STF, parlamentares de partidos de centro e esquerda afirmam contar com 27 votos dos 36 necessários.
A expectativa inicial era de que esse número pudesse aumentar para 29, mas a retotalização dos votos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) não atendeu às expectativas, favorecendo o PL em vez de garantir uma cadeira ao ex-deputado Comte Bittencourt (Cidadania).
Além disso, Chico Machado, que era cogitado como candidato de Eduardo Paes (PSD), surpreendeu ao trocar o Solidariedade pela legenda de Cláudio Castro. A oposição busca um consenso em torno de um nome que possa atrair votos da base governista, especialmente se a Justiça decidir que a votação para presidente deve ser secreta, como pleiteia o PDT.
Com as recentes trocas de siglas, o PL aumentou sua bancada de 18 para 22 deputados, enquanto a federação PP-União Brasil conta com 11 parlamentares. Juntas, essas forças se aproximam do número necessário para a eleição de Ruas.
Alguns deputados da direita expressam descontentamento com as pressões durante uma sessão relâmpago convocada pelo presidente em exercício, Guilherme Delaroli (PL), que foi anulada pela Justiça no mesmo dia. O deputado Vitor Junior (PDT) se coloca como uma opção para unir a oposição, contando com o apoio de Paes: “Precisamos reverter sete votos. Há um clima de insatisfação entre deputados que se sentiram coagidos a votar no Ruas”, disse.
Vitor Junior também se mostrou favorável a pautas do PSOL, como a criação de uma CPI do Banco Master, para integrar o bloco oposicionista. O PSOL, que possui uma bancada unida de cinco deputados, planeja lançar um representante na eleição, mas está aberto a negociações. Flávio Serafini (PSOL) afirmou: “O PSOL vai apresentar um nome que mude essa página no Rio. Hoje a Alerj funciona a base de chantagens e sem respeito à proporcionalidade e às minorias.”
A viabilidade de uma candidatura que enfrente o PL dependerá da capacidade de Eduardo Paes de conquistar apoios dentro da Alerj. O PSD, sob sua liderança, conseguiu dobrar sua bancada, alcançando dez deputados. Em caso de um acordo, eles se uniriam a 16 parlamentares de esquerda (PT, PDT, PSB e PCdoB) e a Rosenverg Reis (MDB).
No entanto, Rosenverg, que é irmão de Washington Reis e agora aliado de Paes, também manifestou interesse em concorrer ao comando da Casa. Essa disputa poderá ganhar maior relevância se o STF decidir que o Rio terá uma eleição indireta para governador antes de outubro. “Eu conheço a entranha da estrutura da Casa”, defendeu Rosenverg, que é primeiro-secretário da Assembleia. As articulações devem ser retomadas na quinta-feira, com a definição do cenário pelos ministros.

