Flávio Bolsonaro anunciou sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto em 5 de dezembro de 2025. Quatro meses depois, ele foi confrontado sobre o esquema de rachadinhas no gabinete da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Durante uma entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o pré-candidato mostrou-se desprevenido ao ser questionado sobre o esquema que envolvia o confisco de parte dos salários dos ex-assessores de gabinete por Fabrício Queiroz. Imagens da entrevista revelaram Flávio visivelmente desconfortável ao abordar o caso, que ele classificou como “toda essa espuma de tentar destruir minha reputação”.
““Nunca respondi criminalmente por isso. Queiroz cuidava de uma parte da minha assessoria que fazia panfletagem na rua. Ele falou que tinha pessoas que ele contratou e que cobrava uma parte do salário, e colocou no papel que eu jamais tinha conhecimento disso”, disse Flávio.”
Flávio, que enfrenta uma disputa acirrada com Lula, adotou uma estratégia semelhante à do ex-presidente ao afirmar que não tinha conhecimento das ações de seu assessor. Essa resposta pode ser suficiente para o eleitorado bolsonarista, mas levanta dúvidas sobre sua capacidade de administrar o país.
Além das rachadinhas, Flávio enfrenta críticas sobre sua falta de experiência. Ele foi sócio de uma loja de chocolates na Barra da Tijuca, apontada por investigadores do Ministério Público do Rio de Janeiro como uma estrutura para lavar dinheiro das rachadinhas. Suas explicações sobre as movimentações financeiras variaram ao longo do tempo.
““Sou um cara de negócios. Eu faço dinheiro. Compro, revendo, compro, revendo, compro carro, revendo carro, sempre fui assim. Gosto muito de comprar carro em seguradora. Na minha época lá atrás, eu comprava um carrinho, mandava arrumar, vendia”, disse Flávio em dezembro de 2018.”
A falta de experiência no Executivo e o passado na Alerj podem ser obstáculos para Flávio na campanha, especialmente em debates e entrevistas. As obras de seu pai e do irmão Eduardo, que já foi anunciado como chanceler, também podem ser usadas para desqualificá-lo.
Dizer que não sabia pode igualar Flávio a Lula, mas essa estratégia pode não ressoar bem entre os eleitores.

