O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, pediu desculpas em suas redes sociais por uma fala considerada homofóbica em relação ao ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à presidência, Romeu Zema. Mendes reconheceu o erro ao comparar a homossexualidade à prática de crimes, mas manteve suas críticas ao político mineiro.
No início da semana, Gilmar Mendes solicitou a inclusão de Zema no inquérito das fake news. Ele afirmou: “Há uma indústria de difamação e de acusações caluniosas contra o Supremo. Vou enfrentá-la. E não tenho receio de reconhecer um erro. Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa contra o ex-governador Romeu Zema. Desculpo-me pelo erro. E reitero o que está certo”. A declaração foi feita no X (antigo Twitter) e recebeu uma nota da comunidade, que destacou que atos de homofobia não são passíveis de retratação.
A fala que gerou o pedido de desculpas ocorreu durante uma entrevista ao portal Metrópoles na quinta-feira, 23. Mendes questionou: “Agora se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições… Imagine que nós comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? Se fizermos ele roubando dinheiro no estado, será que não é ofensivo? É correto brincar com isso? Homens públicos podem fazer isso?”.
O atrito entre Gilmar Mendes e Romeu Zema se intensificou ao longo da semana. O ex-governador publicou uma animação nas redes sociais, intitulada “Os intocáveis”, onde Gilmar Mendes e Dias Toffoli são retratados em atos de corrupção. Essa publicação levou Mendes a solicitar a inclusão de Zema no inquérito das fake news, presidido pelo ministro Alexandre de Moraes.
Após o pedido de inclusão, Zema reagiu, afirmando que “a carapuça serviu” ao decano do STF. A escalada da crise entre os dois pode, segundo apuração da coluna Radar, de VEJA, levar o ex-governador à prisão.

