O governo federal anunciou na segunda-feira, 6 de abril de 2026, um subsídio adicional de R$ 0,80 por litro de diesel, elevando a subvenção total para R$ 2 por litro. Essa medida visa aliviar os preços dos combustíveis nas bombas, mas analistas afirmam que não será suficiente para zerar a alta dos preços.
Os economistas destacam que o impacto fiscal da iniciativa tende a ser praticamente nulo, uma vez que a alta do petróleo deve aumentar a arrecadação do governo. A estimativa oficial aponta um impacto de R$ 31 bilhões com a medida, enquanto a alta da commodity deve gerar R$ 40 bilhões a mais aos cofres públicos.
Além do diesel, o governo propôs a isenção do imposto sobre o querosene de aviação (QAV) e adotou medidas para o biodiesel e o gás de cozinha (GLP). No caso do biodiesel, os impostos federais serão temporariamente zerados, e o gás de cozinha contará com uma subvenção federal temporária para compensar a alta dos preços no mercado internacional.
Alberto Ajzental, professor de economia da FGV, explicou que o Brasil consome entre 70 bilhões e 75 bilhões de litros de diesel por ano, importando cerca de 17 bilhões de litros anualmente. Ele afirma que o governo precisaria gastar aproximadamente R$ 3,4 bilhões por mês para compensar a alta do diesel, totalizando R$ 40,8 bilhões ao longo de um ano.
Tatiana Migiyama, professora do núcleo de gestão tributária da FIPECAFI, afirmou que as medidas têm um efeito desinflacionário no curto prazo, reduzindo os preços de itens como diesel e GLP, o que pode ajudar a aliviar os índices de inflação nos próximos meses.
Sérgio Vale, economista da MB Associados, observou que bancos centrais em todo o mundo estão considerando aumentar os juros para conter a inflação em meio à alta do petróleo. No Brasil, essa possibilidade também está no radar do Banco Central, embora o governo busque evitar uma alta da Selic.
Os analistas concordam que os subsídios ajudam a amortecer a alta, mas não eliminam a pressão dos preços internacionais sobre os combustíveis. Ajzental calcula que a combinação do novo subsídio com a subvenção existente deve reduzir a alta potencial do diesel para cerca de R$ 0,52 por litro, considerando uma defasagem de R$ 2,52 por litro.
Para enfrentar estruturalmente os choques provocados pelo petróleo, os economistas defendem uma transição para uma matriz energética mais renovável, destacando que o Brasil atualmente importa cerca de 30% do diesel que consome.

