Os efeitos da guerra no Oriente Médio estão impactando diretamente o bolso dos brasileiros em plena temporada eleitoral. O aumento dos preços do petróleo, combustíveis e alimentos deve persistir durante todo o período de campanha. O governo federal enfrenta dificuldades, pois não tem controle sobre a duração do conflito, os preços do petróleo e o humor dos eleitores.
A situação deixou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma posição complicada. Desde o início da guerra, em março, Lula tem criticado empresários, chamando-os de “bandidos” e os culpando genericamente pela especulação com derivados do petróleo, especialmente diesel e gás de cozinha. Em um comício recente, ele evitou mencionar o aumento de 55% no preço do querosene de aviação imposto pela Petrobras.
No mesmo evento, Lula classificou como “bandidagem” o resultado de um leilão de gás em que empresas ofereceram lances até 77% acima do preço estimado. Ele não se lembrou de que a venda do gás foi organizada pela Petrobras, que é a principal beneficiária do negócio, e argumentou que a operação foi realizada sem a aprovação da direção da empresa, que é controlada pelo governo.
Na segunda-feira, 6 de abril, a Petrobras demitiu o coordenador do leilão de gás, um funcionário com mais de 30 anos de carreira na empresa, em uma intervenção conjunta dos ministérios da Casa Civil e Minas e Energia. Essa ação deixou a impressão de que o governo está envolvendo a Petrobras em sua campanha eleitoral, mesmo que indiretamente.
O aumento dos preços do gás leiloado, com alta de até 77%, representa uma ameaça aos programas assistenciais planejados para a campanha de Lula, que visam atender milhões de pessoas no segmento mais pobre da população. O programa “Gás do Povo” foi triplicado e, a partir de maio, a distribuição de botijões com combustível subsidiado deve alcançar 16 milhões de residências em 2,9 mil municípios.
A subvenção governamental incluirá 60 mil distribuidores em uma operação de preço tabelado por pelo menos três meses, com margem de lucro reduzida. No entanto, a escalada dos preços de petróleo, gás e derivados gerou incertezas sobre o “Gás do Povo” e outros programas assistenciais previstos para a temporada eleitoral.
Algumas distribuidoras privadas de gás de cozinha e óleo diesel estão relutantes em aceitar as propostas de subsídios estatais em troca de tabelamento ou congelamento temporário de preços. Para lidar com a situação, Lula enviou um trio de ministros ao Congresso para apresentar um projeto de lei que aumenta as penalidades para crimes contra a economia popular, propondo penas de dois a cinco anos de detenção para práticas de “aumento abusivo de preços” e “restrição artificial de oferta”.
Embora essa abordagem punitivista possa ter algum efeito na propaganda eleitoral, ela evidencia que o governo está sem direção em meio à crise, que resulta do aumento abrupto dos custos dos projetos planejados para a campanha de Lula.

