O rapper norte-americano Kanye West, agora conhecido como Ye, propôs nesta terça-feira (7) um encontro com a comunidade judaica do Reino Unido. A oferta surge em resposta à forte reação negativa contra sua apresentação programada para julho, no Wireless Festival, devido a comentários antissemitas e à celebração do nazismo feitos pelo artista no passado.
O governo britânico enfrenta pressão para negar a entrada de Ye, que foi anunciado como a principal atração do festival. Diversas grandes empresas já cancelaram o patrocínio ao evento. Ye se apresentou nos EUA e na Cidade do México este ano, mas foi banido da Austrália em julho passado após lançar a música “Heil Hitler”, que promovia o nazismo. Além disso, ele anunciou a venda de camisetas com suásticas em seu site oficial.
Em janeiro, o rapper publicou um anúncio de página inteira no Wall Street Journal pedindo desculpas, atribuindo seu comportamento a uma lesão cerebral não diagnosticada e ao transtorno bipolar não tratado. Nesta terça, Ye afirmou estar acompanhando a repercussão sobre o festival. “Meu único objetivo é ir a Londres e apresentar um show de mudança, trazendo unidade, paz e amor através da música”, declarou.
““Eu ficaria grato pela oportunidade de me encontrar pessoalmente com membros da comunidade judaica no Reino Unido para ouvir. Sei que palavras não são suficientes — terei que mostrar mudança através das minhas ações. Se vocês estiverem abertos, eu estou aqui.””
O primeiro-ministro Keir Starmer classificou a contratação de Ye como “profundamente preocupante”. Fontes do Ministério do Interior confirmaram que a permissão de entrada do rapper está sendo revisada. O secretário de Saúde, Wes Streeting, reforçou que as ações de Ye não foram apenas “comentários infelizes”, mas “um padrão de comportamento”.
O Conselho de Deputados dos Judeus Britânicos afirmou que a comunidade deseja ver remorso genuíno e mudança. “Como tal, estamos dispostos a nos encontrar com Kanye West como parte de sua jornada de cura, mas apenas depois que ele concordar em não tocar no Wireless Festival este ano”, declarou o presidente do conselho, Phil Rosenberg.
Melvin Benn, diretor da organizadora Festival Republic, defendeu a “virtude do perdão” e da segunda chance, reiterando que Ye não terá plataforma para expressar opiniões no palco. As gigantes Diageo, Pepsi e PayPal retiraram seus apoios ou marcas de materiais promocionais do evento. O artista de 48 anos não se apresenta no Reino Unido desde o festival de Glastonbury, em 2015.

