Ian Buck, vice-presidente de computação de alta performance da Nvidia, afirmou que não haverá limites para a inteligência artificial física. Ele conversou com VEJA em San José, na Califórnia, abordando a evolução do Cuda, a plataforma de software que se tornou fundamental para a revolução da inteligência artificial.
Buck, que desenvolveu o Cuda a partir de sua tese de doutorado em Stanford, destacou que a Nvidia manteve o projeto ativo por dez anos, mesmo sem gerar lucro, para construir uma base de desenvolvedores. Hoje, o Cuda é utilizado em diversas aplicações, desde ressonâncias magnéticas até simulações de medicamentos.
“Estamos agora na 13ª versão do Cuda, e cada medicamento desenvolvido pela Eli Lilly ou pela Pfizer é primeiro testado em simulação virtual com a ajuda dessa tecnologia”, disse Buck. Ele também mencionou que a combinação do software com inteligência artificial está ajudando a entender e potencialmente curar certos tipos de câncer.
Sobre o que ainda está sendo subestimado no mercado, Buck apontou os modelos do mundo físico, que são essenciais para a robótica. “Se conseguirmos construir esses modelos com precisão, podemos treinar robôs em simulação virtual antes que eles toquem o mundo real”, explicou.
Buck também comentou sobre as apostas da Nvidia em veículos autônomos, citando que a equipe da empresa já testou sistemas de freio automático em situações reais. “Quando o transporte totalmente autônomo chegar para valer, não haverá mais limite. Isso vai impactar literalmente todas as indústrias”, afirmou.
Por fim, Buck destacou o uso do Cuda na saúde e biologia, mencionando que a compreensão da biologia em nível molecular e mecânico será onde o Cuda e a IA terão seu impacto mais importante. Ele lembrou que, durante a pandemia de covid-19, supercomputadores simularam a proteína do vírus para ajudar na criação de tratamentos.

