Deputados da direita brasileira planejam uma viagem à Venezuela nas próximas semanas para estabelecer um canal de negociações em setores estratégicos. O requerimento para a viagem foi aprovado na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional no dia 8 de abril.
O objetivo da missão é discutir três tópicos principais: comércio bilateral, integração energética e cooperação regional na Amazônia. O grupo acredita que é possível aumentar as exportações brasileiras para a Venezuela e normalizar o comércio, beneficiando o setor produtivo nacional.
A articulação está sendo liderada pelo deputado General Pazuello (PL-RJ), que foi o responsável pelo requerimento. Ele terá reuniões com o Itamaraty, o Ministério de Minas e Energia, a embaixada da Venezuela no Brasil e empresários. Pazuello afirmou que essa missão é “apartidária” e que o convite está aberto ao governo brasileiro.
Outros cinco deputados assinaram o requerimento: Fausto Pinato (PP-SP), Carla Dickson (União Brasil-RN), General Girão (PL-RN), Gustavo Gayer (PL-GO) e Sargento Fahur (PL-PR). A viagem ainda não tem data marcada, mas Pazuello destacou que isso será definido após as reuniões com os diferentes setores envolvidos e que a missão precisa ocorrer ainda no primeiro semestre para evitar sobreposição com as eleições de 2026.
Os congressistas também pretendem acompanhar os protocolos para a retomada da importação de energia elétrica da Venezuela. Atualmente, algumas empresas brasileiras atuam no país, especialmente no setor de energia. Desde 2023, a Âmbar Energia possui autorização para importar energia da Venezuela para o estado de Roraima.
Outras três empresas, Infinity, Eneva e Tradener, também tinham autorização do governo para realizar essa operação, mas a importação foi paralisada devido à necessidade de manutenções no Linhão de Guri, que é responsável pela transmissão de energia de Santa Elena de Uairén a Boa Vista.
No ano passado, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) autorizou a Bolt Energy a realizar essa operação. Roraima é o único estado brasileiro que não está conectado ao Sistema Integrado Nacional, dependendo da importação de energia venezuelana da usina de Guri, localizada no estado Bolívar, sul da Venezuela.
A ideia é aproveitar o momento político da Venezuela para reaproximar empresas brasileiras do mercado venezuelano. Os deputados opositores acreditam que o governo de Delcy Rodriguez está promovendo mudanças que abrem espaço para a retomada dos negócios, com as principais estatais envolvidas sendo Petrobras e Transpetro.
As empresas brasileiras deixaram de operar no país após o início das sanções dos Estados Unidos contra a Venezuela, que bloqueou o país do sistema de pagamentos swift, impossibilitando o pagamento pelos serviços prestados. Em 2023, o governo de Joe Biden começou a aliviar algumas sanções, permitindo a retomada gradual de negócios no país caribenho.
A entrada mais recente de uma companhia nacional foi a Gol, que estabeleceu dois voos semanais ligando Caracas a São Paulo a partir de agosto de 2025. Pazuello enfatizou que o Brasil não pode “abrir mão” da relação com a Venezuela, que possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo e uma participação significativa no mercado energético brasileiro.
““A Venezuela é um parceiro que nós não podemos abrir mão e isso precisa ser bem trabalhado. A ida de representantes da comissão é levar expertise de petróleo e uma excelente oportunidade de trabalhar conjuntamente”, disse Pazuello.”
O deputado Pazuello idealizou e coordenou a Operação Acolhida, deflagrada em 2018 para proteger venezuelanos que atravessam a fronteira com Roraima. Ele se afastou do comando operacional em janeiro de 2020, quando foi indicado para ser o número 2 do Ministério da Saúde.
Desde a posse forçada de Delcy Rodríguez, empresários brasileiros têm visitado a Venezuela em busca de ativos disponíveis após a queda de Nicolás Maduro. Os irmãos Joesley e Wesley Batista (J&F) expandiram suas operações no país, especialmente no setor de energia, carne e petróleo. Joesley visitou Caracas em duas oportunidades para se reunir com integrantes do novo governo e avaliar a estabilidade futura da gestão Rodríguez.
No setor alimentício, a empresa brasileira aumentou as exportações para abastecer a Venezuela em um cenário de crise interna. No mercado energético, a Âmbar Energia consolidou-se como fornecedora principal de energia elétrica para Roraima.


