O processo de canonização do Monsenhor Domingos Chohachi Nakamura, que atuou no interior de São Paulo, avançou e chegou ao Vaticano na quarta-feira (8). Quase um século após sua morte, a história e o legado do religioso mobilizam fiéis e a própria Igreja Católica.
O material foi levado a Roma pelo vice-postulador da causa, padre Leandro César Martins, encerrando uma etapa que envolveu anos de investigação histórica conduzida pela Diocese de Presidente Prudente. O processo agora entra na fase romana, onde a documentação será analisada tecnicamente.
O padre Jurandir Severino de Lima, notário do processo, destacou a importância dessa etapa:
““Eles vão analisar isso e possivelmente chegarão a um veredito […] Hoje tudo depende de Roma.””
Monsenhor Nakamura, conhecido como o “Apóstolo dos Imigrantes Japoneses”, nasceu em 1865 em Nagasaki, Japão, e chegou ao Brasil em 1923. Ele se destacou por sua dedicação aos imigrantes japoneses e pela vida simples que levava, morando em uma casa de madeira e utilizando diferentes meios de locomoção para atender comunidades.
O religioso morreu em 14 de março de 1940, em Álvares Machado, onde foi sepultado no cemitério municipal, evidenciando o respeito e a admiração da comunidade. O processo de canonização, que começou com a Pastoral Nipo-Brasileira, é rigoroso e dividido em etapas que avaliam a vida e possíveis milagres atribuídos ao candidato.
Atualmente, Monsenhor Nakamura é considerado Servo de Deus. O próximo passo é o reconhecimento das virtudes heroicas, que pode levá-lo ao título de Venerável.
““Todo o processo de beatificação do Monsenhor Nakamura é montado em cima das virtudes heroicas de um cristão”,”
afirmou o padre Jurandir.
Se declarado Venerável, a Igreja aguardará a comprovação de um milagre atribuído à sua intercessão para a beatificação. O processo segue sob análise do Vaticano, e relatos de graças alcançadas por fiéis continuam a ser acompanhados.


