O governo britânico está sob pressão crescente para impedir a entrada do rapper norte-americano Kanye West, agora conhecido como Ye, no país. A situação se agravou após o anúncio de sua participação como atração principal do Wireless Festival, programado para julho.
Ye tem sido criticado por comentários antissemitas e pela celebração do nazismo, resultando no bloqueio de suas contas em redes sociais, incluindo o X (antigo Twitter). A decisão de contratá-lo levou várias empresas a retirarem seu patrocínio ao festival.
O Partido Conservador enviou uma carta à Secretária do Interior, Shabana Mahmood, solicitando que o rapper seja proibido de entrar no Reino Unido. Uma fonte do Ministério do Interior informou que os ministros estão revisando a permissão de entrada de Ye. Embora o ministério não comente casos individuais, Mahmood possui autoridade para solicitar sua exclusão do país.
Melvin Benn, diretor administrativo da Festival Republic, uma das organizadoras do evento, defendeu a decisão de manter Ye como headliner, apesar de seus comentários “abomináveis”. Ele pediu que o público ofereça perdão ao artista, afirmando que Ye não terá “uma plataforma para exaltar opiniões” no palco.
““O perdão e a segunda chance estão se tornando virtudes perdidas neste mundo cada vez mais dividido. Peço que as pessoas reflitam sobre seus comentários imediatos de nojo (…) e ofereçam algum perdão e esperança, como eu decidi fazer”, disse Benn.”
A Live Nation, outra organizadora do festival, e os representantes de Ye não comentaram sobre a situação. Na semana passada, o Conselho de Liderança Judaica condenou a contratação do rapper, citando um aumento nos ataques a judeus e alvos judaicos.
O primeiro-ministro Keir Starmer classificou a decisão de escalar Ye para o festival como “profundamente preocupante”. Ele afirmou:
““O antissemitismo em qualquer forma é abominável e deve ser confrontado com firmeza onde quer que apareça. Todos têm a responsabilidade de garantir que a Grã-Bretanha seja um lugar onde o povo judeu se sinta seguro.””
Um porta-voz do prefeito de Londres, Sadiq Khan, destacou que os comentários de Ye não refletem os valores da cidade e que a decisão foi exclusiva dos organizadores. Em julho do ano passado, a Austrália cancelou o visto do rapper após ele lançar “Heil Hitler”, uma música que promovia o nazismo.
O banimento ocorreu meses depois de Ye anunciar a venda de camisetas com suásticas em seu site. Em janeiro, o artista publicou um anúncio de página inteira no Wall Street Journal pedindo desculpas por seus comentários antissemitas, atribuindo seu comportamento a uma lesão cerebral não diagnosticada e a um transtorno bipolar não tratado.
Ye, de 48 anos, não se apresenta no Reino Unido desde 2015, quando foi a atração principal do festival de Glastonbury. As empresas de bebidas Diageo e Pepsi, patrocinadora de longa data, informaram que retiraram seu apoio ao Wireless devido à presença de Ye. O PayPal também declarou que sua marca não aparecerá em materiais promocionais futuros do evento.

