A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) anunciou sua adesão a um manifesto que defende a manutenção da chamada ‘taxa das blusinhas’. O posicionamento ocorreu em meio a discussões no governo sobre uma possível revisão da tributação de remessas internacionais de até US$ 50.
Na terça-feira (7), a Abrapa expressou preocupações de que mudanças na política tributária possam impactar negativamente a cadeia produtiva nacional, especialmente os setores relacionados ao algodão. O presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, afirmou que a proposta de flexibilização da cobrança representa um risco de retrocesso para a cadeia produtiva nacional, especialmente para os setores têxtil e de vestuário, que estão fortemente conectados à produção de algodão no país.
O manifesto argumenta que a tributação sobre compras internacionais, iniciada em 2023 com a cobrança de ICMS e ampliada em 2024 com a incidência de imposto de importação, trouxe efeitos positivos para a economia. Entre os benefícios destacados estão a geração de empregos, a recuperação da indústria e o aumento da arrecadação.
Dados citados no documento indicam que o comércio criou cerca de 860 mil vagas formais desde a implementação das medidas, enquanto a indústria gerou outras 578 mil. Durante o mesmo período, a taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,1% ao final de 2025, o menor nível da série histórica.
A Abrapa ressalta que o fortalecimento da indústria têxtil aumenta a demanda por matéria-prima nacional, consolidando o algodão como insumo estratégico para a indústria de transformação. Outro ponto central do manifesto é o impacto nas contas públicas.
As entidades afirmam que, em 2024, o comércio recolheu R$ 246 bilhões em tributos federais, com um aumento de R$ 36,9 bilhões em relação ao ano anterior. A arrecadação com imposto de importação sobre remessas internacionais alcançou cerca de R$ 5 bilhões em 2025. Estimativas no documento sugerem que a reversão da política poderia resultar em uma perda anual próxima de R$ 42 bilhões para a União.
Com a adesão ao manifesto, a Abrapa se une a representantes da indústria e do varejo que defendem a continuidade da política. O texto também posiciona o Brasil em uma tendência internacional, mencionando que países como Estados Unidos e membros da União Europeia têm adotado medidas semelhantes para tributar remessas internacionais, em resposta ao crescimento das plataformas globais de e-commerce.

