Uma nova abordagem da medicina regenerativa está trazendo esperança para pacientes com doença de Parkinson ao tentar restaurar a produção de dopamina no cérebro, uma substância essencial para o controle dos movimentos.
A técnica, que ainda está em fase de pesquisa, consiste no transplante de neurônios produtores de dopamina criados em laboratório a partir de células-tronco. O objetivo é substituir as células que deixam de funcionar com a progressão da doença.
O processo começa com a coleta de células do sangue de doadores. Essas células são reprogramadas em laboratório para se tornarem células-tronco pluripotentes induzidas, conhecidas como iPS, uma descoberta que rendeu o Prêmio Nobel de Medicina em 2012 ao cientista japonês Shinya Yamanaka. Essas células têm a capacidade de se transformar em praticamente qualquer tipo celular do corpo.
No caso do Parkinson, os pesquisadores induzem sua transformação em neurônios dopaminérgicos, que são responsáveis pela produção de dopamina. Após a preparação, cerca de 10 milhões dessas células são implantadas diretamente no cérebro do paciente.
O procedimento cirúrgico envolve a abertura de pequenas áreas no topo da cabeça, onde os médicos inserem uma cânula fina até atingir uma região profunda do cérebro chamada putâmen, que está ligada ao controle dos movimentos e onde ocorre a perda de neurônios no Parkinson. A expectativa é que essas novas células passem a produzir dopamina de forma contínua, compensando a perda causada pela doença.
Um estudo clínico realizado no Japão com sete pacientes entre 50 e 70 anos apresentou resultados promissores. Imagens do cérebro mostraram um aumento significativo da dopamina dois anos após o transplante, com uma média de crescimento de 44%. Os pacientes também apresentaram melhora nos sintomas motores, com redução de tremores e rigidez, sendo a melhora média de cerca de 20%, chegando a 50% em um dos casos.
A terapia ainda é experimental e foi aplicada até agora em pacientes com mais de cinco anos de diagnóstico, que apresentam flutuações motoras e não respondem bem ao tratamento convencional com levodopa, o principal medicamento utilizado atualmente, que pode causar efeitos colaterais ao longo do tempo.
Apesar dos avanços, especialistas alertam que o tratamento ainda não representa uma cura, pois o Parkinson não afeta apenas os neurônios produtores de dopamina, mas também outras áreas e tipos celulares do cérebro. A terapia atual atua apenas na reposição dessas células específicas.
Os pesquisadores pretendem ampliar o estudo para um grupo maior de pacientes e comprovar a eficácia do método em larga escala. A expectativa é que, com mais dados, o tratamento possa ser aprovado para uso clínico no futuro. Enquanto isso, a técnica é vista como um passo importante na busca por terapias mais eficazes e, possivelmente, caminhos para intervenções mais completas contra a doença.


