O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou que ‘uma civilização inteira vai morrer hoje à noite’ se o Irã não cumprir o prazo para fechar um acordo ou reabrir o Estreito de Hormuz. O ultimato definido por Trump termina às 21h desta terça-feira (7), no horário de Brasília.
A analista de Internacional Fernanda Magnotta classificou a fala como uma grave ruptura dos princípios de civilidade internacional.
“‘Ele, de certa maneira, está tentando ampliar o horizonte político do que é possível e, de certa maneira, daquilo que passa a ser considerado aceitável'”
, explicou Magnotta durante o programa desta terça-feira.
Segundo a analista, a ameaça de Trump representa um risco real de escalada no conflito.
“‘O presidente Trump basicamente escreveu, como um dos maiores e mais importantes líderes políticos do mundo, que estaria disposto a cometer um crime de genocídio. Quando ele diz em eliminar uma civilização inteira, essa é a definição que o direito internacional dá para o crime de genocídio'”
, afirmou.
Magnotta observou que há sinais concretos de mobilização militar americana que sugerem uma possível ação além da retórica.
“‘Já nas últimas semanas, nós temos visto forças de defesa e de segurança dos Estados Unidos sendo mobilizadas no entorno do Oriente Médio. Dificilmente essas forças seriam deslocadas caso não houvesse uma ameaça real de ataque concreto'”
, explicou.
No entanto, a analista também ressaltou que Trump tem histórico de estabelecer prazos e ameaças sem concretizá-los posteriormente.
“‘Ele já fez isso outras vezes, já estabeleceu prazos no passado, já definiu critérios que acabaram não sendo atendidos e ainda assim a escalada não veio'”
, ponderou.
A preocupação principal, segundo a analista, é que, mesmo como estratégia retórica, esse tipo de discurso normaliza ações que até recentemente eram consideradas inaceitáveis, como ataques a alvos civis e infraestrutura logística e energética, práticas tipificadas como crimes de guerra pela legislação internacional.

