Em sete anos, apenas oito crianças com deficiência foram adotadas na Bahia, onde 54 menores aguardam por uma família. O estado conta com 1.315 pretendentes cadastrados, mas o perfil dessas crianças enfrenta barreiras e preconceitos, segundo especialistas.
A Bahia possui 280 menores vinculados ao sistema de adoção, dos quais 54 têm algum tipo de deficiência, incluindo intelectual, física ou ambas. Segundo dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), apenas oito crianças com deficiência foram adotadas no estado desde 2019.
A psicóloga Évelim Silva, do Lar Vida, instituição que acolhe crianças e adolescentes com deficiência em Salvador, afirma que a adoção desse grupo é dificultada por mitos, preconceitos e receios dos pretendentes. “Muitas dessas crianças passam anos esperando por uma família, algumas sem nunca receber visitas”, disse.
O Lar Vida oferece atendimento integral, mas a especialista ressalta que nenhum acolhimento substitui a convivência familiar, que favorece o desenvolvimento emocional e a autonomia das crianças. Ela destaca que o contato direto com as crianças ajuda a desconstruir preconceitos.
O processo de adoção no Brasil é gratuito e envolve etapas como análise documental, programa de preparo, decisão judicial e convivência monitorada. O sistema prioriza o perfil definido pelos adotantes, o que dificulta a adoção de crianças com deficiência, que são menos procuradas em todo o país.


