A alta dos juros longos nos principais mercados desenvolvidos reacende o alerta para o crédito no Brasil. Gestores financeiros mudaram a expectativa de cortes para cenário de inflação persistente e custos elevados da dívida, segundo especialistas.
O movimento coordenado de abertura das curvas longas nos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Japão indica uma mudança estrutural no cenário econômico global. Investimentos robustos em inteligência artificial pressionam a demanda por insumos críticos, alimentando a inflação de forma menos evidente.
Bruno Serra, gestor da Itaú Asset, destacou que a inflação foi o principal tema discutido com fundos estrangeiros durante a Brazil Week em Nova York. A expectativa inicial de cortes de juros pelo Federal Reserve foi revista para a possibilidade de juros mais altos diante da inflação persistente.
O segmento de computadores e eletrônicos, tradicionalmente deflacionário, registrou alta superior a 100% nos preços de memória, impactando setores como celulares e baterias para carros elétricos. O ETF DRAM, focado em fabricantes de chips de memória, captou US$ 10 bilhões em seu primeiro mês, refletindo o interesse dos investidores.
Especialistas avaliam que o ciclo de investimentos em inteligência artificial está na fase inicial, com demanda quase infinita e oferta restrita, o que deve manter a pressão inflacionária e os juros elevados por mais tempo.


