A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu vídeos de pessoas ingerindo detergente da marca Ypê como forma de protesto contra a suspensão temporária de lotes da empresa. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou nesta segunda-feira (11) que a agência avalia possíveis medidas jurídicas diante dos conteúdos.
A suspensão da fabricação e o recolhimento de lotes de lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes da Ypê com numeração final 1 foram determinados pela Anvisa em 7 de maio, após avaliação técnica que apontou irregularidades em etapas críticas do processo produtivo.
Apesar da liberação dos produtos em 9 de maio, após recurso apresentado pela empresa, a agência mantém a recomendação para que os consumidores evitem o uso dos itens até a conclusão do recolhimento.
O ministro Alexandre Padilha afirmou que a Anvisa recebeu vídeos, inclusive publicados por políticos e apoiadores da direita, que mostram pessoas ingerindo detergente em contestação à decisão da agência. “A Anvisa não tem lado partidário”, disse o ministro, que classificou a mobilização como tentativa de transformar uma decisão técnica em disputa política.
Padilha também mencionou que a mobilização ganhou força após a divulgação de informações sobre doações feitas pelos proprietários da Ypê à campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. A Anvisa segue analisando os vídeos para definir as medidas jurídicas cabíveis.

