Aos 100 anos, a bailarina chilena Evelyn Cordero continua a dar aulas de balé para idosos em seu estúdio em Santiago. Com problemas de audição e mobilidade reduzida, ela usa uma bengala e tênis, mas mantém a energia ao ensinar um grupo de dez mulheres entre 50 e 80 anos. A escola, fundada em 1994, é um refúgio contra a depressão, doença que atinge fortemente a velhice no Chile.
Nas aulas semanais de uma hora e meia, Cordero corrige posturas e incentiva movimentos, cantarolando músicas clássicas. Suas alunas, como Alejandra Cusacovich, de 74 anos, frequentam há décadas. ‘É um respiro para mim, como uma terapia’, disse a aluna, que superou uma depressão grave graças à professora e às colegas.
O Chile envelhece rapidamente: segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, o país terá mais mortes que nascimentos a partir de 2028. A dança, no entanto, oferece uma segunda chance. ‘Esquecemos todos os nossos problemas’, afirmou Pilar Valenzuela, de 55 anos, a mais jovem do grupo.
Cordero, que dança desde os quatro anos, já pensou em parar, mas a paixão a mantém ativa. ‘Até nos meus sonhos, eu danço’, disse. Ela tem cinco filhos, 14 netos e 19 bisnetos, e foi incluída no ranking dos 100 Líderes da Terceira Idade do Chile pela Fundación Conecta Mayor.


