O estado do Rio de Janeiro registrou 29.699 violações contra a mulher em 2026, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Contudo, apenas 3.631 protocolos de denúncias foram formalizados, evidenciando um grande abismo entre ocorrências e registros oficiais.
A realidade da violência, que abrange agressões físicas, domésticas, psicológicas, morais e patrimoniais, é marcada pelo silêncio de muitas mulheres. A professora Andrea Souza, do Centro Universitário Anhanguera de Niterói, explicou que o medo de denunciar é um fator central. Ela afirmou que esse receio se liga a dependência emocional e financeira, além do temor de represálias e da vergonha.
A docente comentou que a Lei Maria da Penha representa conquistas importantes na proteção feminina, estabelecendo medidas protetivas e criminalizando agressores. No entanto, ela declarou que a eficácia da lei depende da sua aplicação, fiscalização e da confiança das vítimas em utilizá-la.
Para mudar o cenário, Souza defendeu ações que vão além do âmbito jurídico, citando a necessidade de educação para a igualdade de gênero em escolas e empresas. Ela reforçou a importância de canais como o 180 e o 190, alertando que “o silêncio não protege, ele perpetua.”

