Um estudo publicado em 2014 pela pesquisadora Johanna Meijer, da Universidade de Leiden, na Holanda, sugere que hamsters e camundongos correm em rodas de exercício por prazer, e não por tédio ou neurose. A pesquisa colocou rodas em áreas urbanas e dunas e filmou animais selvagens usando o equipamento voluntariamente, mesmo sem recompensa alimentar.
O biólogo Theodore Garland Jr., da Universidade da Califórnia em Riverside, que estuda o comportamento há mais de 30 anos, explica que a corrida está ligada à liberação de dopamina no cérebro, neurotransmissor associado ao prazer. “É difícil ignorar a ideia de que eles estão obtendo algum tipo de prazer ou satisfação com isso”, afirmou Garland. Em seu laboratório, camundongos chegam a fazer acrobacias nas rodas, como um “rolamento completo” enquanto a roda gira.
Garland também observou que o hábito de correr em rodas pode se formar na juventude. Em estudos, camundongos que tiveram acesso a rodas logo após o desmame, com três semanas de idade, correram significativamente mais quando adultos. “O sistema de recompensa foi alterado permanentemente”, disse. Ele sugere que isso tem implicações para humanos: cortar educação física nas escolas pode levar a adultos sem hábito de exercício.
Além de camundongos, musaranhos, sapos e até lesmas foram registrados usando as rodas, mas os roedores representaram 88% dos usuários. A pesquisa indica que o comportamento não é exclusivo de cativeiro e desafia a visão de que a corrida em roda é um tique nervoso.


