A BusPatrol, empresa que instalou câmeras com inteligência artificial em dezenas de milhares de ônibus escolares nos Estados Unidos, planeja transformar os equipamentos em leitores automáticos de placas de veículos (ALPRs) e compartilhar os dados com a polícia, segundo documentos vazados e fontes da imprensa.
De acordo com documentos internos e uma fonte com conhecimento do plano, a BusPatrol já tomou medidas para ceder os dados à Axon, gigante de fornecimento de equipamentos policiais. A empresa reconheceu a controvérsia do projeto, citando preocupações sobre o uso dos dados pelo ICE (agência de imigração dos EUA), mas aposta no apelo da proteção infantil para obter aceitação pública.
“Quem imaginaria que ônibus escolares se tornariam ferramentas de vigilância em massa?”, questionou um advogado do Instituto pela Justiça, entidade que move ações judiciais contra sistemas ALPR. O instituto argumenta que o uso desses leitores sem mandado judicial é inconstitucional e compara a prática a uma “rede de arrasto”.
Em comunicado por e-mail, a porta-voz da BusPatrol afirmou que a investigação “baseia-se em premissas falsas e informações imprecisas” e que os dados são usados apenas no âmbito dos programas locais. No entanto, após a imprensa enviar perguntas adicionais com base nos documentos vazados, a porta-voz deixou de responder.


