A esposa de um desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) é suspeita de intermediar processos judiciais, conforme relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A investigação apura a conduta do magistrado que, em 2020, concedeu prisão domiciliar a um chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), que fugiu em seguida.
Em conversas por aplicativo de mensagem, a mulher enviou a um assessor um documento com o pedido: ‘O chefe pediu para dar uma olhada. Se pode ser no virtual’. Após resposta positiva, ela pediu para verificar se é possível ‘dar provimento ao recurso’. Segundo o CNJ, os pedidos eram ‘prática habitual e aparentemente normalizada’ e o servidor prestava informações à esposa do magistrado, incluindo detalhes sobre minutas de decisões judiciais.
O relatório também aponta suspeitas de pagamentos em dinheiro vivo para a construção de uma mansão em condomínio de alto padrão em Campo Grande. O terreno foi comprado em 2020 e a obra custou mais de R$ 2,1 milhões. A esposa do magistrado evitava usar cartão e combinava encontros presenciais para efetuar os pagamentos, segundo a Polícia Federal.
A defesa do casal nega irregularidades e afirma que aguarda acesso à investigação para se manifestar. O desembargador foi punido com aposentadoria compulsória em fevereiro de 2026 pela soltura do traficante, que permanece foragido e é um dos mais procurados do país.


