A Europa enfrenta uma cúpula de calor sem precedentes, com recordes de temperatura caindo em vários países. No Reino Unido, os termômetros atingiram 35°C, a maior temperatura já registrada em maio. Na França, as autoridades relataram sete mortes possivelmente relacionadas ao calor. Na República Tcheca, recordes foram quebrados pelo quarto dia consecutivo. Cientistas afirmam que as mudanças climáticas tornam esses eventos mais frequentes e intensos.
A cúpula de calor, um sistema de alta pressão que retém ar quente, mantém temperaturas elevadas em grande parte da Europa. No Reino Unido, a segunda-feira (25) foi o dia mais quente de maio já registrado, com 34,8°C no Kew Gardens, em Londres. Na terça-feira (26), o recorde foi novamente superado, chegando a 35°C. A média máxima para o fim de maio na capital britânica é de cerca de 20°C. O calor extremo causou um incêndio florestal perto de Edimburgo e deixou centenas de casas no sudeste da Inglaterra sem água, devido ao pico no consumo.
A França também enfrenta calor “sem precedentes”, segundo o serviço meteorológico Météo France. A porta-voz do governo, Maud Bregeon, informou que “sete mortes direta ou indiretamente associadas ao calor” foram registradas. Entre as vítimas, um homem de 53 anos que morreu durante uma corrida em Paris e uma mulher em um evento esportivo em Lyon. A ministra do Esporte, Marina Ferrariová, alertou para a necessidade de “absoluta vigilância” ao praticar esportes em calor extremo. Na Espanha, a agência meteorológica AEMET prevê que as temperaturas no sul do país podem chegar a 40°C nesta semana.
Na República Tcheca, os recordes de temperatura caíram pelo quarto dia consecutivo. Em Doksany, no distrito de Litoměřice, os termômetros marcaram 32,7°C. O Instituto Hidrometeorológico Tcheco (ČHMÚ) lembrou que, historicamente, o fim de maio já foi ainda mais quente, como em 2005, quando seis estações registraram 34°C e Dobřichovice atingiu 35°C, o recorde absoluto para o mês.
Cientistas associam o evento às mudanças climáticas. Stephen Dixon, porta-voz do serviço meteorológico britânico, afirmou que eventos que antes ocorriam “uma vez a cada 100 anos” agora acontecem “uma vez a cada 33 anos”. Peter Thorne, diretor do centro de pesquisa climática ICARUS, na Irlanda, disse que “ondas de calor como esta são mais prováveis e mais severas devido às mudanças climáticas”. Em 2024, o ano mais quente já registrado, mais de 62 mil pessoas morreram na Europa devido ao calor. A previsão para junho indica que a Europa pode se dividir entre calor extremo no oeste e temperaturas mais amenas no leste, segundo modelos meteorológicos.


