Três meses após o início da guerra do Irã, os preços do petróleo seguem elevados, acima de US$ 100 o barril, alimentando temores de inflação global e dividindo os mercados entre ativos que se beneficiam, como o dólar e ações de tecnologia, e outros que perdem, como moedas asiáticas e títulos públicos.
O salto de aproximadamente 40% do petróleo alterou a perspectiva de inflação e juros. No mercado físico, os preços do petróleo bruto estão bem acima de US$ 100 por barril, chegando a quase o dobro do nível pré-guerra. Uma liberação recorde de 400 milhões de barris das reservas estratégicas e a busca por fontes alternativas amenizaram a perda de oferta, mas a pressão sobre o sistema energético global aumenta, segundo a imprensa.
O dólar ganhou 1,5% em relação a outras moedas importantes desde o início do conflito, atuando como porto seguro. O aumento dos rendimentos dos Treasuries, que atingiram o maior nível desde 2007, com a taxa de 30 anos acima de 5%, reforçou o apelo da moeda. “No momento, estamos neutros, mas ainda esperamos um dólar mais fraco no médio prazo”, disse Van Luu, chefe global de estratégia de soluções da Russell Investments.
Na Ásia, a rúpia indiana, a rupia indonésia e o peso filipino atingiram mínimas recordes em relação ao dólar. O Sri Lanka surpreendeu com um aumento de 100 pontos-base na terça-feira (26). Apenas o iuan chinês se manteve firme, apoiado pelas reservas domésticas de energia. Enquanto isso, o otimismo com inteligência artificial impulsionou ações globais a recordes: a sul-coreana SK Hynix ultrapassou US$ 1 trilhão em valor de mercado. Por outro lado, o índice de companhias aéreas do S&P 500 caiu mais de 6% e o de luxo, 10%.
Na zona do euro, a atividade econômica sofreu a maior retração em mais de dois anos e meio, conforme o índice composto de gerentes de compras da S&P. O Banco Central Europeu alertou que a guerra amplia vulnerabilidades financeiras. Nos EUA, a gasolina atingiu uma alta de quatro anos de US$ 4,56 por galão. Os títulos públicos também perderam, com os rendimentos dos Bunds alemães atingindo o maior nível em mais de 15 anos, à medida que investidores precificam ao menos dois aumentos de juros pelo BCE até o fim do ano.


