O Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), antigo Hospital Colônia, encerrou oficialmente suas atividades na segunda-feira (25), após a transferência dos últimos 14 pacientes da unidade. Localizado em Barbacena (MG), o hospital ficou marcado como um dos maiores símbolos de violações de direitos humanos no país, com cerca de 60 mil mortes ao longo de sua história.
Os últimos internos foram encaminhados para residências assistidas, modelo que prioriza liberdade e inclusão social. O prefeito de Barbacena, Carlos Du (PSD-MG), afirmou que o fechamento simboliza “um compromisso coletivo com a liberdade, com a inclusão e com a valorização da vida humana”. A Prefeitura de Barbacena classificou o gesto como “o encerramento de uma era marcada pelo sofrimento”.
Inaugurado em 1903, o Hospital Colônia recebeu não apenas pessoas com transtornos mentais, mas também homossexuais, militantes políticos, mulheres rejeitadas e pessoas em vulnerabilidade social. A instituição foi acusada de comercializar corpos de pacientes: segundo pesquisas citadas no livro “Holocausto Brasileiro”, pelo menos 1.857 cadáveres foram vendidos entre 1969 e 1981 para 17 instituições de ensino médico, com cada corpo comercializado por cerca de R$ 323 em valores atualizados.
Em março, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pediu desculpas públicas por ter adquirido cadáveres do hospital para aulas de anatomia. A autora do livro “Holocausto Brasileiro” afirmou que as vítimas “não alcançaram valor nem na morte” e classificou o pedido como um ato de grandeza por reconhecer a participação na “barbárie”.


