Setores industriais brasileiros pedem nesta terça-feira (12) que o governo reaja ao avanço das importações chinesas, que devem crescer 6,2% em 2026 e ampliar o déficit na balança comercial de produtos manufaturados para US$ 146,4 bilhões.
A Coalizão Indústria, formada por 13 entidades setoriais, divulgou previsões que indicam que as importações continuarão a capturar boa parte do aumento projetado em 3% do consumo doméstico neste ano. O déficit comercial, que era de US$ 74 bilhões em 2019 e chegou a US$ 134 bilhões em 2025, deve subir para US$ 146,4 bilhões em 2026.
Marco Polo de Mello Lopes, coordenador da Coalizão e presidente do Instituto Aço Brasil, classificou as importações impulsionadas por estímulos de países asiáticos como um “problema emergencial” e pediu o fim da “farra do boi”. Ele elogiou a atuação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mas lembrou que as medidas de defesa comercial são tomadas na Câmara de Comércio Exterior (Camex), que reúne nove ministérios.
“Temos a China como o maior problema. De outro lado, o governo tem proximidade com a China, não sem razão, por se tratar do maior parceiro comercial”, afirmou Marco Polo. Igor Calvet, presidente da Anfavea, destacou que a indústria nacional não consegue capturar o aumento do consumo interno devido ao avanço das importações. “Nenhum de nós tem medo de competição. O que incomoda é a assimetria competitiva entre o produto nacional e o importado”, disse. “As importações são parte da competição, mas viram um problema quando entram de forma anticompetitiva ou desleal”, acrescentou.
O grupo mantém a recuperação do mercado interno como prioridade e reforça a necessidade de medidas para conter a entrada de produtos importados que prejudicam a indústria nacional.

