A Nasa utilizou um actígrafo criado por professores e ex-alunos da Universidade de São Paulo para acompanhar os padrões de sono, atividade e ritmos circadianos dos astronautas da missão Artemis 2, lançada em 1º de abril de 2026 rumo à órbita da Lua.
O dispositivo, desenvolvido pela Condor Instruments, tem formato semelhante ao de um relógio de pulso e registra simultaneamente a atividade motora, exposição à luz e temperatura corporal dos astronautas. A startup teve o equipamento aprovado pela agência espacial norte-americana no fim de 2025, após contato iniciado em 2023, quando a Nasa abriu chamada para tecnologias que monitorassem alterações fisiológicas em missões espaciais.
Utilizado pelos quatro astronautas da Artemis 2 — os norte-americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, e o canadense Jeremy Hansen —, o actígrafo acompanhou os ciclos de atividade e repouso durante a missão. Os dados coletados podem ajudar cientistas a entender como o organismo humano reage em ambiente espacial, sem referências naturais como a alternância entre dia e noite.
A Artemis 2 percorreu 406.777 quilômetros em 10 dias, estabelecendo novo recorde de distância para uma tripulação humana no espaço, superando em mais de 6.000 quilômetros o recorde da missão Apollo 13, em 1970. Os astronautas foram os primeiros a sobrevoar o lado mais afastado da Lua desde o programa Apollo. As informações obtidas podem contribuir para o desenvolvimento de protocolos de saúde para futuras viagens espaciais de longa duração.
O monitoramento dos ritmos circadianos é essencial para essas missões, pois influencia o sono, metabolismo, temperatura corporal e produção hormonal dos astronautas, garantindo melhor adaptação ao ambiente fora da Terra.

