A votação da proposta que reduz a jornada semanal de trabalho na Câmara dos Deputados ganhou um novo impasse nesta quarta-feira (27), após o PL anunciar apoio ao fim da escala 6×1 e sinalizar a apresentação de uma emenda defendendo o modelo 4×3 (quatro dias de trabalho e três de descanso). A movimentação foi interpretada pela autora da PEC, deputada Erika Hilton (PSOL-SP), como tentativa da oposição de atrasar a tramitação.
O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou na tribuna que o partido pretende votar a favor da mudança na jornada atual, mas condicionando o apoio à inclusão de um destaque com a escala 4×3. “Já que querem ajudar o trabalhador, eu quero ver amanhã os petistas botando a sua digital. Nós vamos votar o fim da escala 6×1 para aprovar como destaque, de preferência, a jornada de quatro dias trabalhados para o trabalhador descansar três”, declarou.
A proposta em análise na comissão especial prevê redução gradual da carga de 44 para 40 horas semanais em 14 meses. O relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), já havia enfrentado um pedido de vista do deputado Maurício Marcon (PL-RS) na segunda-feira (25), que adiou a votação. Para acelerar o retorno à pauta, a Câmara realizou nesta quarta uma sessão relâmpago de oito minutos, sem deliberação.
Em entrevista a veículos de comunicação, a deputada Erika Hilton afirmou que o PL atuou até agora contra o avanço da matéria e classificou a nova estratégia como manobra para desgaste político. “É mais uma manobra do partido que foi o tempo todo contrário à matéria e trabalhou para não avançar o texto”, disse. “Vamos ver se manterão essa posição até o final, mas isso é claramente uma manobra para tentar atrasar a votação que já está acordada.”
A expectativa dos defensores da PEC é que, superada a etapa na comissão especial, o texto siga ainda nesta quarta-feira para análise do plenário da Câmara. Nos bastidores, parlamentares avaliam que novos destaques podem ampliar negociações e prolongar a análise.


