A Câmara Municipal de Piracicaba aprovou em primeira discussão projeto que proíbe o plantio e a produção da árvore exótica espatódea, considerada tóxica para abelhas e outros insetos. O projeto permite o corte das árvores existentes desde que sejam substituídas por espécies nativas.
O vereador Zezinho Pereira justificou o projeto pelos impactos negativos da espatódea sobre a fauna local, especialmente abelhas e beija-flores intoxicados pelos compostos presentes nas flores da árvore. A vereadora Silvia Morales contestou, afirmando que faltam evidências científicas definitivas e ressaltou benefícios ambientais da espatódea, como sombra e abrigo para animais.
A professora Denise Alves, da Esalq/USP, afirmou que o néctar da espatódea é tóxico para abelhas, comparável a inseticidas domésticos, e que a maioria das abelhas nativas brasileiras é solitária e vulnerável. O engenheiro florestal Germano Chagas reconheceu os riscos biológicos, mas ponderou que o impacto da espatódea é pequeno diante do uso intensivo de agrotóxicos na agricultura local e alertou para os prejuízos ambientais da remoção das árvores adultas.
Especialistas recomendam aumentar a vegetação nativa em Piracicaba, que atualmente representa apenas 9% do município, para garantir a conectividade entre fragmentos florestais e proteger os polinizadores. A discussão sobre a espatódea já levou outros estados a aprovarem leis semelhantes para preservar a fauna local.


