Proposta do senador Renan Calheiros amplia a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para fundos de previdência de estados e municípios afetados pelo Banco Master. Especialistas do Banco Central e do setor financeiro criticam o projeto por aumentar riscos e custos.
A proposta apresentada pelo senador Renan Calheiros prevê que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cubra integralmente os depósitos dos Regimes Próprios de Previdência Social e de Previdência Complementar do Distrito Federal, estados e municípios no Banco Master, sem limite de cobertura. A liquidação do banco, decretada em novembro de 2025, causou perdas de R$ 1,876 bilhão para pelo menos 18 fundos previdenciários.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a medida pode distorcer a finalidade do FGC, que é proteger investidores de varejo e garantir competição entre bancos. Ele alertou para o risco de desequilíbrio no fundo, que protege a economia popular e evita corridas bancárias.
Executivos do setor financeiro e ex-diretores do Banco Central criticam o projeto, apontando que ele pode incentivar riscos excessivos por parte dos fundos de pensão e aumentar as contribuições ao FGC, elevando o custo do crédito para os clientes dos bancos. O ex-diretor Luiz Fernando Figueiredo classificou a proposta como um absurdo e destacou que os fundos de pensão assumiram riscos ao investir no Banco Master.
Ricardo Gallo, especialista em serviços financeiros, destacou que a proposta gera insegurança jurídica por ser retroativa e defendeu a adoção de critérios mais rigorosos para investimentos em previdência complementar, em vez de ampliar a proteção do FGC. A liquidez do fundo caiu de R$ 114,1 bilhões no fim de 2024 para R$ 66,8 bilhões em janeiro de 2026, mas deve ser recomposta para R$ 111,2 bilhões.


