Entre 1902 e 1906, o Rio de Janeiro passou por intensa transformação urbana com a modernização do porto e do Centro Histórico. A disputa envolveu comerciantes, engenheiros, grupos estrangeiros e o governo federal, segundo pesquisa da UFF.
O Rio de Janeiro buscava se afirmar como metrópole moderna no início do século XX, mas o antigo porto colonial não atendia às necessidades da capital federal. O projeto de modernização, liderado pelo presidente Rodrigues Alves e pelo prefeito Pereira Passos, incluiu ampliação do porto, construção de novos cais e remodelação urbana inspirada em Paris.
Essa transformação gerou conflitos entre comerciantes ligados à Associação Comercial do Rio de Janeiro, engenheiros, concessionárias e o governo federal, que disputavam o controle das operações portuárias e dos contratos. O financiamento das obras contou com negociações internacionais, incluindo o grupo Rothschild.
A região portuária e o Centro Histórico passaram por demolições, aterros e construção de avenidas largas, alterando profundamente a paisagem urbana. A tese da historiadora Nívea Silva Vieira destaca os embates políticos e econômicos que marcaram esse processo.
Mais de cem anos depois, o Centro e o porto vivem nova fase de revitalização com investimentos públicos e privados, retomando a importância histórica e econômica da região para a cidade.


