O rio Mapocho, que corta Santiago, no Chile, passou por um projeto de limpeza de 12 anos concluído em 2010, transformando-se de um canal poluído em um corredor verde com ciclovia e parques. A iniciativa público-privada incluiu a construção de um túnel de 28 km para tratamento de esgoto e recebeu prêmio da ONU.
O rio Mapocho, com 110 km de extensão, recebia 97% dos resíduos da capital chilena, que tem quase 10 milhões de habitantes. O projeto de saneamento envolveu a construção de um túnel de 28 km para canalizar o esgoto até plantas de tratamento chamadas biofábricas. A água tratada é devolvida ao rio e usada para irrigação sem riscos à saúde.
A empresa Aguas Andinas, responsável pelo saneamento, adotou um modelo de economia circular que produz energia a partir dos resíduos e transforma lodo em fertilizantes. Essa iniciativa recebeu prêmio da ONU durante a COP24, em 2018.
A recuperação ambiental permitiu o retorno de cerca de 80 espécies ao entorno do rio, incluindo o peixe endêmico bagrinho-chileno, indicador de águas limpas. Em janeiro, o Mapocho foi declarado zona úmida urbana para proteger seu valor ambiental, embora a administração fragmentada entre 16 comunas dificulte sua proteção.
Além disso, Santiago criou uma ciclovia de 42 km e vários parques às margens do rio, mudando a relação dos moradores com o Mapocho e promovendo o lazer e a conservação ambiental.


