O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, assinou nesta segunda-feira (18) decreto que estabelece estado de alerta climático por 180 dias para fortalecer ações preventivas contra chuvas e alagamentos provocados pelo El Niño.
O decreto, com vigência até novembro e possibilidade de prorrogação, autoriza a mobilização antecipada dos órgãos estaduais para prevenção, monitoramento e resposta rápida a possíveis eventos extremos. Ele estabelece critérios objetivos para que municípios possam declarar situação de emergência, como precipitação superior a 80 milímetros em 24 horas, desabrigamento de famílias, interrupção de serviços essenciais e alertas laranja ou vermelho da Defesa Civil estadual.
Além disso, o governo prevê investimentos em monitoramento climático, capacitação de servidores e modernização de barragens. O uso de recursos do Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil (Fundec) está autorizado para custear medidas preventivas e operacionais.
Estudos recentes nacionais e do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), órgão dos Estados Unidos, indicam probabilidade acima de 80% de ocorrência do El Niño já em julho, com maior intensidade prevista para dezembro de 2026 e janeiro de 2027. O fenômeno altera a temperatura das águas do Oceano Pacífico e pode aumentar a frequência de chuvas intensas e desastres naturais.
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) também aponta para a possibilidade de chuvas acima da média e temperaturas superiores ao padrão climatológico no Sul do Brasil durante a primavera e o verão. Institutos ligados aos ministérios da Agricultura e da Ciência, Tecnologia e Inovação alertam para riscos à produção de alimentos, especialmente arroz, feijão e milho, devido à instabilidade climática.

