O Supremo Tribunal Federal tenta há mais de um mês intimar o deputado federal Mário Frias (PL-SP) para esclarecer supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares a empresas da produtora do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em 21 de março, o ministro do STF Flávio Dino deu cinco dias para que Frias respondesse à denúncia da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), que acusa o parlamentar de destinar ao menos R$ 2 milhões à Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida por Karina Ferreira da Gama. A ONG está ligada a outras entidades, como o Instituto Conhecer Brasil e a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme previsto para estrear em setembro.
Oficiais de justiça estiveram no gabinete de Frias na Câmara dos Deputados, em Brasília, ao menos três vezes entre março e abril, mas foram informados por assessores que o deputado estava em São Paulo em compromissos de campanha e não houve interesse em informar sua agenda.
Frias admitiu ter destinado R$ 1 milhão para a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo para viabilizar a produção da série documental “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”, por meio da Go Up Entertainment. Segundo ele, o projeto não avançou devido à incapacidade técnica da entidade beneficiária, e os recursos foram redirecionados para o Hospital de Amor de Barretos, na área da saúde.
A deputada Bia Kicis, também citada na denúncia, admitiu ter destinado R$ 150 mil para a mesma série documental, mas afirmou que a indicação não foi executada. Ela classificou a petição de Tabata Amaral como “maldosa” por associar sua emenda a supostas irregularidades e desvios de finalidade, negando qualquer conexão entre sua emenda e o filme Dark Horse.


