Um traficante ligado ao PCC foi preso nesta terça-feira (26) pela polícia boliviana após seis anos foragido. Segundo a Polícia Federal, ele teria comprado um habeas corpus concedido em 2020 por desembargador investigado por suposta venda de sentenças.
O traficante estava detido desde abril de 2017 em Campo Grande e fugiu após romper a tornozeleira eletrônica concedida por decisão judicial durante a pandemia de covid-19, sem laudo médico comprovando sua alegada condição de saúde debilitada.
O habeas corpus foi concedido em cerca de 40 minutos pelo desembargador Divoncir Schreiner Maran, que nega as acusações. No dia seguinte, o desembargador Jonas Hass Silva Júnior revogou a liminar e restabeleceu a prisão do traficante.
O Conselho Nacional de Justiça aplicou aposentadoria compulsória a Maran em 2026, a sanção disciplinar mais grave prevista na Lei Orgânica da Magistratura Nacional. A Polícia Federal suspeita que ele recebeu propina e usou esquema de lavagem de dinheiro conhecido como “gado de papel”.
O traficante foi detido na Operação All In em 2017, quando foram apreendidos 810 quilos de cocaína, e tem condenação de 66 anos relacionada ao sequestro de um avião em 2000. Após a prisão na Bolívia, ele foi encaminhado à sede da Interpol em Santa Cruz de la Sierra.


