Setenta e um mulheres tiveram seus mandatos cassados ou foram alvo de processos de cassação entre 2015 e 2025, em 19 unidades da Federação, segundo levantamento divulgado pelo Instituto E Se Fosse Você na Alesp. O volume de casos cresceu significativamente a partir de 2019, período que coincide com o início de um governo federal.
O relatório, intitulado “Mulheres Ameaçadas no Brasil: dos feminicídios às cassações de mandatos (2015-2025)”, mostrou que o recorde de episódios ocorreu em 2025, com 30 casos registrados. As vereadoras são as principais vítimas, representando 73% das congressistas atacadas, enquanto deputadas estaduais, distritais e federais concentram 20% das ocorrências.
O estudo classifica o fenômeno como um *backlash*, termo usado pelo movimento feminista para descrever reação organizada contra o avanço de direitos das mulheres. Quase metade (40%) das congressistas com a legitimidade do mandato questionada é filiada ao PT ou ao Psol. Os autores dos pedidos de cassação, por sua vez, integram majoritariamente partidos de direita e centro-direita, somando 70% dos casos.
Pesquisadores afirmaram que os ataques não se dirigem apenas à condição de gênero, mas também a posicionamentos políticos e agendas de gênero assumidas publicamente. Homens cisgêneros representam 78% dos agressores. O documento concluiu que mulheres que desafiam hegemonias políticas locais por posição ideológica ou renovação geracional são os alvos preferenciais dessa violência institucional.


