Um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã configura cessar-fogo, e não acordo de paz, segundo o professor Gunther Rudzit. O especialista afirma que a distinção é crucial, pois as causas profundas da tensão entre Washington e Teerã não serão tratadas nas negociações.
Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM e da Unifa, explicou que um verdadeiro acordo de paz exige que as partes negociem as raízes do conflito. No caso em questão, as causas da tensão entre os dois países não estarão na mesa de negociações, o que aponta para a persistência da instabilidade no Golfo e no Oriente Médio.
O ciclo de conflitos regional teve início com o ataque terrorista do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023. O especialista comentou que aquela ofensiva visava impedir uma transformação geopolítica, como o estabelecimento de relações diplomáticas entre a Arábia Saudita e Israel, o que se oporia ao chamado arco de resistência iraniano.
A perspectiva de aproximação entre Riad e Tel Aviv tornou-se inviável com o agravamento do conflito. O governo saudita declarou que não reconhecerá Israel sem a criação de um Estado palestino, cenário que Rudzit considera impossível no contexto político israelense atual. Ele declarou: “A gente vai ter, para mim, um cessar-fogo, não uma paz”.

