Um grupo de magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF) prepara-se para atuar como instância revisora de decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), gerando atrito com a gestão de Kassio Nunes Marques. O embate se manifestou em julgamentos simultâneos sobre eleições suplementares em Roraima, focando no prazo de desincompatibilização de candidatos.
O conflito ganhou visibilidade com o julgamento de um caso em Roraima. Após uma liminar de Flávio Dino no STF, que estabeleceu o prazo de desincompatibilização entre três e seis meses antes da eleição, Kassio Nunes Marques pautou a discussão no TSE. No TSE, ele obteve maioria com os votos de Dias Toffoli, André Mendonça e Antônio Carlos Ferreira, embora a ministra Estela Aranha tenha solicitado vista.
Interlocutores de Kassio afirmam que o ministro defende a jurisprudência do TSE, que permite prazos mais flexíveis em pleitos suplementares. Além disso, o STF foi notificado de que derrubaria a censura de pesquisa Atlas/Bloomberg, que apontou queda nas intenções de voto de um candidato, após diálogo entre o senador e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Outro ponto de divergência é a atuação em redes sociais. Enquanto o ex-presidente do TSE, Alexandre de Moraes, impôs regras rígidas em 2022, Kassio sinalizou que adotará uma postura mais contida. O caso do ex-governador do Rio de Janeiro, que renunciou antes da condenação à inelegibilidade, também ilustra a tensão, pois o STF deve definir se as novas eleições serão diretas ou indiretas.

