A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou um grupo de trabalho para aprofundar a avaliação da vacina Butantan-DV contra a dengue. A medida visa investigar eventos adversos graves e duas mortes suspeitas, que motivaram a suspensão temporária do imunizante no Sistema Único de Saúde (SUS).
A iniciativa ocorre após o Ministério da Saúde e a Anvisa decidirem frear a distribuição da vacina. Segundo dados oficiais do Ministério da Saúde, cerca de 500 mil pessoas receberam o imunizante. O sistema de vigilância registrou 3.703 notificações de reações, sendo 42 casos com sinais de alarme compatíveis com dengue grave. Três episódios foram classificados como de extrema gravidade, incluindo os dois óbitos sob análise técnica.
Até o momento, as autoridades declaram que não há comprovação de relação causal entre a vacina e as mortes. O novo comitê atuará no monitoramento contínuo da segurança, processo conhecido como farmacovigilância. A equipe analisará dados fornecidos pelo Instituto Butantan para subsidiar a Diretoria Colegiada da Anvisa.
Questionamentos jurídicos surgiram sobre a entrada da vacina na rede pública. O ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga afirmou que o imunizante começou a ser distribuído no SUS sem passar pelo rito legal obrigatório da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Ele comentou que a vacina aprovada pela Conitec era a da Takeda, e não a do Butantan.

