Cerca de 23% dos brasileiros com smartphone já tiveram um encontro com alguém conhecido por meio de aplicativos de relacionamento, segundo pesquisa da Mobile Time e Opinion Box. O uso dessas plataformas, como Tinder e Bumble, reflete mudanças sociais, mas também gera relatos de esgotamento emocional entre os usuários.
O interesse por aplicativos acompanha a vida acelerada e a digitalização das relações. A lógica das plataformas se baseia em perfis e algoritmos que sugerem combinações. A plataforma Happn, por exemplo, afirma que o Brasil é seu maior público, registrando um aumento de 10 milhões de usuários no país nos últimos três anos, segundo Karima Ben Abdelmalek, CEO da empresa.
As histórias de sucesso, como a de uma empreendedora que conheceu um parceiro ucraniano na Ásia, mostram o alcance global dessas ferramentas. Contudo, o sucesso não elimina os desafios. Um levantamento da Forbes Health (2025) revelou que 78% dos usuários se sentiram emocionalmente esgotados com as plataformas.
A psicóloga Êdella Nicoletti explica que o acesso ilimitado a perfis novos dificulta o compromisso, pois “a entrada ficou fácil demais e a saída virou o padrão”. Os fatores de cansaço incluem a dificuldade de conexão real (40%) e a rejeição (27%).
Diante disso, enquanto as empresas buscam recursos para relacionamentos de longo prazo, há um crescimento do desejo de equilibrar experiências online e presenciais, embora os especialistas prevejam que os aplicativos manterão papel importante na vida afetiva nacional.

