O Brasil enfrenta um aumento de riscos digitais, com dados de um relatório indicando 1,4 milhão de ataques cibernéticos por minuto em 2025. Esse cenário exige que empresas busquem especialistas capazes de unir cibersegurança, direito digital e governança corporativa para gerir ameaças complexas.
A dimensão do problema reforça a necessidade de governança centralizada, evidenciada pela Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber), instituída em agosto de 2025 pelo Decreto 12.573. Profissionais estão ampliando atuação para além da tecnologia, criando conexões entre setor público, privado e organismos internacionais, pois decisões digitais impactam negócios e confiança pública.
O especialista José de Souza Junior explica que a transformação digital fez com que decisões tecnológicas passem a integrar a estratégia central das empresas. Ele afirma que uma solução digital pode envolver proteção de dados, segurança cibernética, inteligência artificial, responsabilidade civil e diálogo com o poder público. Segundo ele, empresas precisam de profissionais que traduzam riscos complexos em decisões concretas, conversando com desenvolvedores, jurídico e reguladores.
Um estudo da EY, realizado nos Estados Unidos, aponta uma lacuna decisória: 59% dos chefes de equipes de cibersegurança não são consultados pelas empresas antes de decisões estratégicas. José de Souza Junior comenta que um incidente cibernético pode se transformar rapidamente em problema jurídico, financeiro e reputacional. Por isso, tecnologia, regulação e relações institucionais devem operar como parte de uma mesma estratégia de proteção.
O especialista defende o ‘lobby ético e técnico’, que visa contribuir para que a decisão pública seja mais informada. Ele explica que o diferencial é substituir a ‘influência por acesso’ pela ‘influência por competência’, atuando como parceiro de conhecimento do Estado. A adoção de uma estrutura integrada permite à empresa antecipar riscos antes que se tornem crises.

